Segundo o artigo publicado no periódico *Nutrition Reviews* e divulgado pelo Poder360, pesquisadores australianos revisaram 30 estudos – totalizando 225 pesquisas – que analisaram diferentes padrões alimentares, entre eles a Dieta Mediterrânea. A revisão constatou que esse regime, composto por hortaliças, frutas, grãos integrais, castanhas, pescados, laticínios magros e azeite de oliva, está associado a níveis mais baixos de marcadores inflamatórios, como a proteína C‑reativa (PCR) e a interleucina‑6, indicando potencial redução da inflamação crônica de baixo grau.

O nutrólogo Diogo Toledo, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a inflamação crônica pode comprometer a função endotelial e aumentar o risco de hipertensão, aterosclerose, doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, diabetes tipo 2, obesidade, doença hepática metabólica e alguns tipos de câncer. Embora a dieta seja um fator importante, Toledo ressalta que genética, idade, ambiente e estilo de vida também influenciam o surgimento dessas condições.

Além da alimentação, o especialista destaca a necessidade de adotar hábitos saudáveis complementares, como a prática regular de atividade física (caminhada, corrida, natação ou musculação), controle do peso corporal, especialmente da gordura abdominal, e qualidade do sono. Ele enfatiza que o tecido adiposo abdominal produz substâncias pró‑inflamatórias, reforçando a importância de manter a região livre de excesso de gordura.

A Dieta Mediterrânea, segundo o estudo, vai além do cardápio: inclui incentivo ao descanso, passeios ao ar livre, valorização da biodiversidade, sazonalidade, ingredientes locais e a convivência social à mesa. Essa combinação de fatores alimentares e de estilo de vida seria responsável pelos benefícios observados na redução da inflamação e, por consequência, na prevenção de diversas doenças crônicas.