A federação PSOL/Redes não cumpriu a cláusula de desempenho nas eleições de 2026 e, por isso, perderá o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na TV. Apesar de ter conquistado 4,89% dos votos válidos para deputado federal e eleito 15 parlamentares, a federação ficou aquém da exigência constitucional de presença em pelo menos nove unidades da Federação, atingindo o percentual mínimo em apenas oito estados.

Pelo critério de distribuição territorial, a federação precisaria de, no mínimo, 2,5% dos votos válidos nacionais e 1,5% em cada uma das nove unidades da Federação; já pelo critério alternativo, embora tenha superado o número de deputados exigidos (13), os 15 eleitos ficaram concentrados em apenas seis estados, quando são necessárias nove. Essa falha coloca PSOL e Rede sob pressão para reorganizar sua estratégia política para a próxima legislatura.

Especialistas em direito eleitoral, como Peterson Vivan, apontam que a perda da cláusula reduz o financiamento, a comunicação e a atuação parlamentar das legendas. Os partidos ainda podem disputar eleições e manter os mandatos dos deputados eleitos, mas perderão prerrogativas como a participação no Colégio de Líderes e a indicação de integrantes nas comissões da Câmara. Vivan destaca ainda a possibilidade de fusão, incorporação ou manutenção da federação como caminhos jurídicos para ampliar a presença territorial e recuperar os recursos perdidos.

A situação pode gerar migração de parlamentares para legendas que cumpram a cláusula, aumentando a pressão sobre PSOL e Rede para buscar alianças ou reconfigurações estruturais. Até o momento, não há declarações oficiais dos partidos sobre a estratégia que adotarão.