O cientista político Marco Aurélio Nogueira, professor aposentado da Unesp e articulista do Estadão, afirmou que o Brasil vive uma “encruzilhada política paralisante”, em que o embate constante entre lulismo e bolsonarismo dificulta a construção de consensos. Em entrevista concedida ao Estadão Política na manhã de 17 de outubro de 2026, Nogueira destacou que a manipulação de algoritmos e a fragmentação digital criam “muros” que impedem o diálogo e a busca de soluções de curto prazo.

Segundo o entrevistado, tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o senador Flávio Bolsonaro – candidato do PL ao governo – falham ao manterem uma frente ampla que poderia integrar a sociedade. Ele criticou o discurso antissistema de Bolsonaro por carecer de coesão social e apontou que a “terceira via” proposta por alguns analistas não saiu do “acostamento”.

Nogueira, autor do livro *Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar*, comparou a atual fase política a uma sociedade líquida, citando Zygmunt Bauman, e alertou que a democracia brasileira precisa de “adubação permanente” para sobreviver ao clima de polarização. Para o cientista, a solução não está em escolher um lado, mas em reconstruir pontes que permitam o diálogo entre diferentes correntes políticas.

A entrevista, publicada às 14h00 e atualizada às 14h11, não trouxe declarações de representantes do governo ou do PL, nem indicou medidas concretas a serem adotadas. O texto conclui que, apesar do cenário de indignação geral, ainda há espaço para que novos caminhos sejam traçados na política nacional.