Na segunda‑feira, 12 de outubro de 2026, hackers invadiram sistemas de refrigeração conectados à internet de centenas de supermercados na França, elevando a temperatura de geladeiras e congeladores para até 50 °C e provocando a perda de toneladas de alimentos. O ataque, apontado como o primeiro de sua magnitude contra equipamentos industriais de varejo, teve como alvo principal os modelos de congeladores fabricados pela empresa dinamarquesa Danfoss.
O ministro das Finanças francês, Roland Lescure, informou que cerca de 700 estabelecimentos foram afetados. A agência de cibersegurança do governo recomendou que as empresas desconectem imediatamente os equipamentos comprometidos da internet, restrinjam o acesso e apliquem as atualizações de software disponíveis.
Especialistas consultados pela AFP explicaram que a vulnerabilidade decorre da integração insuficiente entre sistemas de tecnologia da informação (TI) e de tecnologia operacional (OT) em equipamentos da chamada Internet das Coisas (IoT). Segundo Olivier Daloy, da Zscaler, o ataque se assemelha ao vírus Stuxnet de 2010, que visou centrífugas iranianas. Ele alertou que, sem controles de acesso adequados, atualizações regulares e plataformas de gerenciamento seguras, tanto eletrodomésticos quanto veículos conectados podem ser alvo de invasões semelhantes.
Antoine Hautin, secretário‑geral da consultoria Almond, ressaltou que a tendência de conectar equipamentos industriais à internet, antes isolados, amplia a superfície de ataque e exige medidas de proteção mais robustas. Até o momento, as autoridades não identificaram os responsáveis pelos ataques.
