Líderes e presidentes de dez partidos, incluindo União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSD e PSDB, divulgaram uma nota nesta terça-feira (20) anunciando a manutenção do bloco que apoiou a eleição de Hugo Motta e defendendo sua recondução ao cargo de presidente da Câmara em 2027. A manifestação é uma resposta direta às declarações recentes de Flávio Bolsonaro (PL), que afirmou que seu partido teria maioria suficiente para eleger os presidentes das duas Casas do Congresso e alterar a Constituição Federal.
De acordo com a coluna de Lydia Medeiros, do Congresso em Foco, os números da apuração das eleições de 04/10/2026 mostram que o PL, somado ao Novo, contará com 131 deputados federais. Para aprovar uma emenda constitucional, no entanto, são necessários 308 votos na Câmara. Assim, o bloco de Flávio Bolsonaro ficaria 187 votos abaixo do quórum mínimo, necessitando de apoio significativo do Centrão e do centro político para viabilizar qualquer mudança estrutural no Legislativo.
A mesma lógica se aplica ao Senado, onde PL e Novo terão 31 cadeiras, mas o quórum para emenda constitucional exige 49 votos. A colunista aponta que o grupo do centro e do Centrão, que controla atualmente a presidência do Senado com Davi Alcolumbre, já havia sinalizado antes das eleições o isolamento político de Flávio Bolsonaro, recusando alianças eleitorais e a oferta de vice na chapa presidencial.
Segundo a análise publicada, a força do centro parlamentar reside em sua coesão e elasticidade ideológica, fatores que historicamente determinaram a governabilidade no Brasil. A coluna argumenta que, independentemente de quem vença a disputa presidencial no 2º turno de 25/10/2026, qualquer governo precisará negociar com esse bloco, o que pode elevar o "preço" político para o candidato do PL, caso ele seja eleito.
