Líderes de 10 partidos do Centrão se reuniram com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos‑PB), na última quarta‑feira (14/10), para discutir a mudança do sistema eleitoral brasileiro. A iniciativa surge após a eleição de 121 deputados do PL‑RJ, a maior bancada do partido desde 1988, e tem como objetivo conter a perda de espaço das siglas tradicionais.

Durante a reunião foram apresentadas duas propostas principais: o sistema distrital misto, que combina distritos eleitorais com listas fechadas dos partidos, e o chamado “distritão”, que transformaria a eleição da Câmara em majoritária, similar ao Senado. Um projeto de lei sobre o distrital misto já tramita na Câmara, enquanto o distritão conta com apoio de parte dos deputados e do Podemos.

Os parlamentares ressaltaram que a mudança exigirá aprovação por meio de emenda constitucional (PEC) e, portanto, dependerá de consenso entre Câmara e Senado. Para avançar, está prevista uma nova reunião entre os líderes partidários e Hugo Motta na próxima terça‑feira, na residência oficial da Presidência da Câmara, além de um encontro com os presidentes dos partidos no dia 28 de outubro, após as eleições presidenciais. O deputado Domingos Neto (PSD‑CE), relator do projeto de lei sobre o distrital misto, deve participar das discussões.

A estratégia do Centrão visa evitar que o modelo atual, que favorece a “indústria de candidatos” e permite que deputados com votos expressivos, como Nikolas Ferreira (PL‑MG), arrastem vagas para colegas de outras siglas, continue beneficiando o PL. Contudo, há divergências internas, já que cada partido defende o modelo que melhor lhe convém, e um parlamentar que preferiu permanecer anônimo avaliou que a mudança será difícil, afirmando que “não acredita em mudança no sistema eleitoral”.