A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma cartilha interna que identifica os eleitores decisivos para o segundo turno das eleições presidenciais. O documento, obtido pela VEJA, destaca a necessidade de conquistar 13 milhões de votos provenientes da abstenção e de eleitores que apoiaram Lula em 2022, mas se afastaram, bem como os que votaram em Augusto Cury em 4 de outubro.

Segundo a cartilha, se 40 % dos abstêmios votarem em Lula, a eleição estaria assegurada. Esse percentual corresponde a mais de 13 milhões de eleitores, número superior ao total de votos obtidos pelos candidatos Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) somados. O texto interno aponta ainda que o primeiro perfil de eleitores – que votou em Lula em 2022 e se afastou – representa um universo de 3,4 milhões de votos a menos que o petista recebeu na disputa atual, reduzindo a diferença para Flávio Bolsonaro, que liderou o primeiro turno com 47,03 % dos votos válidos.

A cartilha também descreve o eleitor de Cury como “moderado, urbano, de renda média”, concentrado principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O documento orienta os aliados de Lula a dialogar diretamente com esse segmento, ressaltando a importância de estratégias de mobilização para reduzir a abstenção e reconquistar o apoio perdido.

A estratégia foi compartilhada em reuniões fechadas com aliados do candidato à reeleição, que devem aplicar as diretrizes da cartilha nas campanhas regionais. Até o momento, a campanha não divulgou detalhes sobre como pretende operacionalizar essas ações nem as respostas de outros candidatos a essas iniciativas.