Em 10 de outubro de 2026, membros brasileiros da Academy of Motion Picture Arts and Sciences – a instituição que organiza o Oscar – divulgaram uma carta aberta denunciando preocupações com o panorama político do país. Entre os 66 signatários estão nomes de destaque do cinema nacional, como Alice Braga, Fernando Meirelles, Kleber Mendonça Filho, Petra Costa e Wagner Moura. Na carta, os artistas pedem que a imprensa internacional acompanhe com rigor o segundo turno das eleições presidenciais, previsto para 25 de outubro, e solicitam que a indústria audiovisual mundial amplifique o debate.
A carta aponta, entre outras questões, a proposta de Flávio Nantes Bolsonaro de reformar a Constituição, que os signatários consideram perigosa, sobretudo diante da condenação do ex‑presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Os artistas lembram que o plano de golpe incluía a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu vice, Geraldo Alckmin, e ressaltam que Jair Bolsonaro permanece preso. Eles alertam ainda para alegações de interferência estrangeira, citando um suposto financiamento de US$ 1 milhão do governo dos Estados Unidos direcionado a decisões do Supremo Tribunal Federal.
Além das questões institucionais, a carta denuncia possíveis cortes no Orçamento da Seguridade Social e políticas de austeridade que poderiam afetar a cultura, bem como “distorsões” na distribuição de conteúdo político nas plataformas da Meta. O texto conclui pedindo que as instituições competentes investiguem as denúncias de forma independente e que a comunidade internacional mantenha vigilância sobre o processo eleitoral brasileiro.
A iniciativa reflete o sentimento de divisão que se instalou no país após o primeiro turno, cuja diferença entre os candidatos foi de 1,87 %. Os signatários da Academy buscam, assim, chamar a atenção para o que consideram riscos à democracia brasileira no próximo segundo turno.
