Segundo o Congresso em Foco, o cadastro da Justiça Eleitoral registra quase meio milhão a menos de eleitores de 16 e 17 anos em comparação com a eleição presidencial de 2022. Naquele pleito havia 2,1 milhões de adolescentes aptos a votar; em 2026 o número caiu para 1,6 milhão, representando uma redução de 22,8 %.

O recorte demográfico explica parte da diminuição: projeções do IBGE apontam queda de 5,6 % na população de 16 e 17 anos desde 2022, o que corresponde a cerca de um quarto da variação observada no cadastro eleitoral. Contudo, a diferença ainda é maior que a mudança populacional, indicando que outros fatores – como a ausência de uma mobilização extraordinária semelhante à de 2022 – também influenciaram o resultado. Em 2022, campanhas do TSE, ações nas redes sociais e a Semana do Jovem Eleitor elevaram o número de adolescentes de 1,4 milhão em 2018 para 2,1 milhões, alta de 51,1 % atribuída a essas iniciativas.

O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomou esforços de engajamento em 2026, inclusive em parceria com a Unicef, mas o impulso não se repetiu na mesma escala. Dados do Datafolha mostram que apenas 48 % dos eleitores de 16 a 24 anos afirmariam que iriam às urnas se o voto não fosse obrigatório, contra 61 % dos eleitores com 60 anos ou mais, o que ajuda a contextualizar a queda no número de títulos.

Enquanto o eleitorado jovem diminuiu, o contingente de eleitores com 70 anos ou mais cresceu 2,4 milhões, chegando a 17,3 milhões – 10,9 % do cadastro total. Essa mudança de perfil reforça a tendência de envelhecimento do eleitorado brasileiro, ainda que a taxa de comparecimento nas urnas continue muito maior entre os jovens (82,9 % dos de 16 e 17 anos em 2022) do que entre os mais velhos (41,1 % dos de 70 ou mais).