Um novo biorrepositório criado no Hospital de Amor, em Barretos (SP), reúne dados genéticos, epidemiológicos e de estilo de vida de milhares de brasileiros para desenvolver ferramentas de avaliação de risco de câncer mais adequadas à diversidade da população. O projeto, que já conta com 4.062 participantes e quase 40 mil amostras de sangue, tem como meta alcançar 8 mil pessoas – metade com câncer e metade sem a doença – nos próximos dois anos, focando inicialmente nos tumores de mama, colorretal e do colo do útero.

Segundo Rui Manuel Reis, diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital de Amor e coordenador do estudo, a iniciativa busca suprir a lacuna da medicina de precisão no Brasil, onde mais de 90% dos grandes estudos genômicos são baseados em populações de ancestralidade europeia. “Não podemos construir uma medicina de precisão com uma régua que foi feita para uma população europeia”, afirmou o pesquisador.

Entre as ferramentas previstas está o escore poligênico de risco, que combina centenas de pequenas variações genéticas para estimar a predisposição ao desenvolvimento de câncer, diferentemente dos testes que identificam mutações hereditárias específicas como BRCA1 e BRCA2. O estudo foi publicado na revista iScience e recebeu financiamento da Fapesp, aproveitando a infraestrutura do biobanco institucional do Hospital de Amor, criado em 2006 e que já possui mais de 420 mil amostras biológicas de mais de 55 mil doadores.