Segundo o Congresso em Foco, a medida provisória que encerra a exploração das apostas de quota fixa no Brasil foi assinada em 25 de setembro de 2026, nove dias antes do primeiro turno das eleições. O artigo analisa o volume de encontros entre o setor de apostas e o governo federal, com base em dados do e‑Agendas. Entre agosto de 2024 e a véspera da MP, a Fazenda registrou cerca de 250 reuniões com representantes das empresas de apostas, enquanto o Ministério da Saúde teve apenas duas reuniões no mesmo período.

Os levantamentos citados – um realizado pela autora em 2024 e outro pelo Agenda Transparente da Fiquem Sabendo – apontam que, de 2023 a março de 2024, foram identificadas 78 reuniões, das quais 67 ocorreram na Fazenda. O estudo indica que o lobby do setor concentrou‑se em questões de arrecadação, outorga e alíquota, deixando de lado discussões sobre saúde pública e justiça, áreas responsáveis pelas consequências sociais das apostas.

A reportagem destaca que, apesar da presença de associações do setor em menos da metade das reuniões, as empresas continuaram a negociar individualmente. A primeira reunião oficial entre o setor e a Saúde foi registrada apenas em novembro de 2025, com a participação da Secretaria de Prêmios e Apostas. O texto aponta ainda que a MP tem validade de 120 dias, mas esse prazo não corre durante o recesso parlamentar, o que pode levar à sua caducidade em março de 2027, dependendo da agenda legislativa.

Por fim, o artigo menciona que o setor pretende trabalhar pela derrubada da MP no Congresso e avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal, enquanto críticos alertam que, após as eleições, a medida pode simplesmente caducar sem necessidade de voto aberto.