Um levantamento do Estadão, publicado em 11 de outubro de 2026, identificou que 25 dos 49 senadores que manifestaram apoio ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal já foram alvo de investigações, ações penais ou medidas investigativas autorizadas pela própria Corte. O estudo inclui casos arquivados, absolvições e investigações que foram remetidas a outras instâncias, desde que o STF tenha autorizado as medidas antes da transferência.
Entre os 31 senadores eleitos que se declararam favoráveis ao afastamento de ao menos um ministro, 18 têm histórico de investigações ou ações penais. O relatório cita, como exemplos, o senador Carlos Jordy (PL‑RJ), alvo de duas operações da Polícia Federal – a primeira em janeiro de 2024, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, e a segunda em dezembro de 2025, autorizada por Flávio Dino – e o ex‑governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil), cuja operação de agosto de 2026 investigou suspeitas de desvio de R$ 308 milhões. Ambos negaram irregularidades e caracterizaram as buscas como intimidação.
Outros nomes mencionados incluem o senador Gustavo Gayer (PL‑GO), que teve seu nome envolvido em investigação autorizada por Moraes em outubro de 2024 e foi indiciado em dezembro de 2025 por crimes como peculato e associação criminosa, e o senador Carlos Bolsonaro (PL‑SC), apontado pela Polícia Federal como possível articulador do chamado “gabinete do ódio”. Todos os parlamentares citados foram contatados pela reportagem, mas nenhum respondeu até a publicação.
A bancada pró-impeachment, que já ganhou força nas eleições de 2026, está a cinco votos dos 54 necessários para aprovar a abertura de processo de impeachment contra ministros do STF. Os senadores do grupo defendem que os magistrados não estão acima da lei e que o Senado deve exercer sua prerrogativa constitucional de processar e julgar integrantes do tribunal, a fim de preservar o equilíbrio entre os Poderes e restaurar a credibilidade do Supremo.
