Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta, já no segundo turno das eleições de 2026, o desafio de aprovar a PEC da Transição no atual Congresso Nacional. A proposta, que pretende alterar regras fiscais e orçamentárias para viabilizar medidas econômicas durante a mudança de governo, dependerá do apoio de parlamentares que estão se despedindo da Casa. São 38 senadores e 197 deputados federais em fim de mandato, totalizando 235 congressistas – quase 40% do Legislativo – que, segundo analistas citados na reportagem, tendem a não se engajar em um pacote de cortes de gastos que pode gerar rejeição popular.

Especialistas como Juan Carlos Arruda, diretor do Ranking dos Políticos, alertam que a matemática do Congresso não muda com o resultado das urnas; a aprovação da PEC será ainda mais difícil porque os parlamentares que votarão não serão os mesmos que comporão o governo futuro. Valdir Pucci, cientista político, acrescenta que, embora esses parlamentares não comprometam a aprovação, o trâmite da proposta será marcado por intensos embates entre governistas e a oposição.

A reportagem da Gazeta do Povo destaca ainda que, na última semana antes do segundo turno, Flávio tem evitado falar de cortes de gastos, reconhecendo a sensibilidade do tema para a base eleitoral. O cenário aponta para a necessidade de o PL construir consensos com partidos de centro‑direita e do Centrão – PSD, PP, União e MDB – em um curto espaço de tempo, se quiser avançar com a PEC antes da posse do novo presidente em 5 de janeiro de 2027.