Pesquisadores brasileiros identificaram três espécies bacterianas que funcionam como um “escudo microbiológico” para o trigo, reduzindo em cerca de 60% os sintomas da podridão da raiz, doença causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana. O estudo, divulgado em maio na revista *NPJ Biofilms and Microbiomes*, contou com a participação da Embrapa, da Universidade de São Paulo (USP) e de institutos vinculados, como o CENA e a Esalq, e recebeu apoio da Fapesp.

Segundo Caroline Sayuri Nishisaka, doutoranda da Embrapa Meio Ambiente, ao inocular sementes de trigo com as bactérias em solos contaminados pelo fungo, observou‑se a queda significativa dos sintomas em comparação ao controle sem bactérias. As três espécies selecionadas – *Streptomyces virginiae*, *Paenibacillus ottowii* e *Pseudomonas inefficax* – foram escolhidas a partir de análises anteriores do microbioma de solos de variedades ancestrais e cultivares comerciais de trigo.

Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa e coordenador dos projetos, destacou que as bactérias não eliminam o patógeno, mas reestruturam a comunidade microbiana ao redor das raízes, mantendo o fungo presente em quantidades semelhantes, porém incapaz de causar a doença. Ele compara esse mecanismo ao sistema imunológico humano, que controla patógenos sem necessariamente erradicá‑los.

O achado abre possibilidades para o desenvolvimento de inoculantes biológicos que ofereçam estratégias agrícolas mais sustentáveis, reduzindo a dependência de defensivos químicos. Ainda não há informações sobre testes em campo em larga escala ou planos de comercialização das formulações bacterianas.