Um analista da consultoria Eurasia, Christopher Garman, avaliou que, caso Luiz Inácio Lula da Silva retome a presidência em 2027, o governo enfrentará dificuldades de governabilidade devido a um Congresso mais conservador, à situação fiscal e à necessidade de restaurar a confiança dos agentes econômicos. Garman, diretor‑executivo para as Américas do Eurasia, participou de um WW Talks promovido pela CNN Brasil em parceria com a Galapagos Capital e a Eurasia. Ele argumentou que a viabilidade de avançar na agenda do governo dependerá de propostas que consigam obter apoio no Legislativo e de um diagnóstico compartilhado sobre a necessidade de controlar as despesas obrigatórias.

Segundo o analista, apesar da postura conservadora do Congresso, seria possível aprovar mudanças fiscais se houver consenso sobre a necessidade de reduzir a dívida e os juros. Ele destacou que a equipe do presidente reconhece a crise de juros e a necessidade de ajustes fiscais, mas que a amplitude do diagnóstico pode variar. Garman ressaltou que a aprovação do presidente Lula, em 45% segundo dados citados, pode cair em 2027 se não houver um "choque de credibilidade" que reduza os juros.

O analista concluiu que os obstáculos de governabilidade provavelmente surgiriam em um segundo momento, quando a popularidade do presidente caísse e o Congresso se mostrasse mais resistente, exigindo medidas econômicas paliativas que agravassem o quadro fiscal.

A matéria foi publicada pela CNN Brasil em 13 de outubro de 2026, às 22:47 BRT.