Davi Alcolumbre (União‑AP), presidente do Senado, está tentando garantir sua permanência na Mesa Diretora ao promover a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que elimina a escala 6×1 (PEC 221/2019). A estratégia, apontada por analistas, seria usar a PEC como moeda de troca com o governo Lula, cuja vitória no segundo turno das eleições de 2026 é condição para a reeleição de Alcolumbre em 2027.

Alcolumbre deu início à primeira fase de debates sobre a PEC na terça‑feira, 6 de outubro de 2026, e pretende acelerar o trâmite regimentar para que a votação ocorra antes do segundo turno, apesar das exigências de quórum qualificado e de sessões deliberativas previstas no regimento. A liderança governista pretende apresentar um requerimento de calendário especial que permitiria a realização de debates consecutivos no mesmo dia, eliminando o interstício previsto entre as votações.

Especialistas destacam que a viabilidade da proposta depende do apoio de partidos governistas e de centro‑esquerda, bem como da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. O avanço do Partido Liberal, que agora ocupa 28 cadeiras, e a resistência de parlamentares de direita – que já apontam o senador Rogério Marinho (PL‑RN) como possível substituto – são obstáculos ao plano de Alcolumbre. O cientista político Antônio Testa alerta que um triunfo de Flávio Bolsonaro (PL) em 25 de outubro poderia inviabilizar a continuidade de Alcolumbre no comando do Senado.

A oposição, representada por Rogério Marinho, não se opõe à PEC em si, mas critica a pressa de Alcolumbre em levar a votação ao plenário durante a campanha eleitoral, pedindo que o tema seja adiado para após as eleições. Enquanto isso, Alcolumbre garante que, caso o requerimento seja protocolado, ele conduzirá o processo para tentar assegurar sua reeleição à presidência da Casa em fevereiro de 2027.