Segundo o levantamento publicado pelo Congresso em Foco em 29/9/2026, quase 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno das eleições de 2022, representando 20,95 % do eleitorado – o maior percentual desde 1998. O estudo, baseado em dados da Justiça Eleitoral, indica que a taxa de abstenção tem crescido de forma constante nas quatro últimas eleições gerais, mas que esse aumento não ocorre de maneira homogênea entre os diferentes grupos populacionais.

Em termos de escolaridade, a diferença é mais acentuada: no primeiro turno de 2022, a taxa de abstenção entre eleitores analfabetos chegou a 52,08 %, enquanto entre aqueles com ensino superior completo foi de apenas 11,85 %. Essa disparidade demonstra que a média nacional de 21 % pode esconder realidades muito distintas de participação.

Por gênero, a diferença é menor, porém ainda perceptível. Mulheres compareceram às urnas em 80,2 % dos casos, contra 78,14 % dos homens, resultando em abstenção de 19,8 % entre mulheres e 21,86 % entre homens. Como as mulheres constituem a maioria do eleitorado, esse comportamento tem impacto significativo nos números gerais.

A análise por idade revela uma tendência oposta ao cenário geral: entre eleitores com 60 anos ou mais, a taxa de abstenção diminuiu de 37,1 % em 2014 para 34,5 % em 2022. Entre os maiores de 70 anos, que têm voto facultativo, a taxa caiu de 63,6 % em 2014 para 58,9 % em 2022, indicando maior comparecimento desse grupo apesar da idade avançada.

Ao cruzar a taxa de abstenção nos 27 estados com o rendimento domiciliar per capita do IBGE, a pesquisa constatou que a correlação entre renda e comparecimento ao voto ficou próxima de zero em 2022, mostrando que fatores como renda não explicam sozinho o padrão de abstenção. O estudo alerta que, com a eleição de 2026 se aproximando, a composição dos eleitores presentes nas urnas pode influenciar decisivamente os resultados, sobretudo em cenários de disputa apertada.