Um relatório de Macroeconomic Research do BTG Pactual, divulgado em 20 de outubro de 2026, indica que a redução da taxa de abstenção no segundo turno das eleições presidenciais pode diminuir a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não seria suficiente para mudar o resultado. Para empatar com Bolsonaro, Lula precisaria mobilizar entre 10 e 25 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno, onde 33 469 244 (21,08 %) não foram às urnas em 4 de outubro.

A simulação do banco mostra que, mesmo que 5,5 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno comparecessem ao segundo, e ao mesmo tempo 5 milhões de eleitores que participaram da primeira votação deixassem de votar, a abstenção cairia apenas 0,31 ponto percentual, de 21,08 % para 20,77 %. Essa diminuição geraria um saldo positivo de cerca de 500 mil eleitores, insuficiente para inverter a projeção de vitória de Bolsonaro, cuja vantagem estimada seria reduzida para um intervalo entre 300 mil e 4,7 milhões de votos.

O estudo também considera diferentes cenários de distribuição de votos entre os eleitores que passariam a votar e os que deixariam de comparecer, mas ressalta a ausência de pesquisas que mensurem diretamente a preferência desses eleitores. A análise chega ao ponto de que, embora a diminuição da abstenção possa aproximar a disputa, ela não a inverte.

Com dois dias para o segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, os candidatos intensificam a campanha: Flávio Bolsonaro já gastou R$ 74,6 milhões, enquanto Lula desembolsou R$ 65,7 milhões, apostando em estratégias digitais e no uso da máquina pública para mobilizar eleitores.