Em 2026, o Brasil registrou 191 candidaturas indígenas nas eleições gerais, um aumento de 125 % em relação a 2014. Apesar desse crescimento, apenas sete representantes foram eleitos para a Câmara dos Deputados e as Assembleias Legislativas, ocupando 0,6 % e 0,4 % das cadeiras, respectivamente. Nenhum candidato autodeclarado indígena saiu eleito para o Senado.

O número de candidaturas indígenas na Câmara triplicou, passando de 25 em 2014 para 75 em 2026, mas apenas três indígenas foram eleitos. Nas Assembleias, quatro foram eleitos entre 1.059 parlamentares estaduais. Em termos de gênero, 84 das 191 candidaturas (44 %) foram de mulheres, mas apenas três das sete eleitas são mulheres.

Sônia Guajajara, coordenadora do Congresso Indígena, destaca que as barreiras estruturais – falta de recursos, equipes técnicas, transporte e conectividade – limitam a competitividade das candidaturas indígenas. Embora o Tribunal Superior Eleitoral assegure destinação proporcional de recursos e tempo de rádio e televisão, os partidos mantêm autonomia para decidir prioridades e distribuição de verba.

Guajajara pede financiamento eleitoral mais justo, reserva de cadeiras e maior participação nas decisões partidárias, além de reforço nas políticas de demarcação, saúde e proteção ambiental. O texto conclui que a continuidade do projeto democrático e o fortalecimento das instituições indígenas são essenciais para superar as desigualdades.

Fonte: Congresso em Foco. Link: https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/123189/a-forca-indigena-nao-vai-recuar