Segundo o Congresso em Foco, a comunicação política está passando por uma profunda transformação ao tornar a experiência informativa cada vez mais personalizada. Historicamente, meios como rádio e televisão ofereciam um ponto de partida comum para que diferentes públicos interpretassem os mesmos acontecimentos; hoje, algoritmos de redes sociais filtram o conteúdo de acordo com o perfil de cada usuário, gerando trajetórias distintas mesmo diante de um mesmo evento eleitoral.
O artigo destaca que, de acordo com o Digital News Report 2026 do Reuters Institute, as redes sociais já superaram a televisão como principal fonte semanal de notícias entre os brasileiros. Essa mudança de hábito implica que as plataformas não apenas entregam informação, mas também participam ativamente da seleção e ordenação dos conteúdos, influenciando a frequência de exposição e a visibilidade de determinados fatos.
No contexto das eleições de 2026, o texto usa o primeiro debate presidencial – realizado pela TV Band em 23 de agosto – como exemplo da nova dinâmica. Embora seis candidatos fossem convidados, apenas três compareceram (Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury), enquanto Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema deixaram seus púlpitos vazios. A ausência de Lula ao debate da TV Globo em 1º de outubro também foi citada, ressaltando que tais ausências podem adquirir diferentes sentidos dentro de um cenário onde a atenção do público se tornou um recurso escasso e disputado.
O artigo conclui que, embora a falta de participação de candidatos não indique necessariamente uma mudança estrutural na comunicação política, ela ganha relevo ao ser recortada, comentada e redistribuída nas redes sociais, criando novas formas de articulação e interpretação dos fatos eleitorais.
